A crise no Afeganistão e os custos humanos envolvidos
Desde o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética, a crise no Afeganistão vem deixando sinais ilusórios de uma possível conciliação internacional e de uma proposta inegociável para a consolidação da paz na região. Com os atentados do 11 de setembro, evento que inaugurou o século XXI, e a suspeita norte-americana acerca de uma possível ligação do território afegão com o suposto paradeiro de Osama Bin Laden, ganhou força a ideia de contornar as táticas diplomáticas e tornar propícia uma intervenção militar no país, a qual, todavia, segundo as palavras do presidente Joe Biden, não tinha o objetivo de levar a democracia para a população, ou seja, tratava-se apenas de uma invasão para a captura do líder da Al-Qaeda.
Contudo, o território afegão, delimitado por uma geografia hostil e anecúmena, e com a presença de um povo guerreiro e com forte espírito de resistência, já sinalizava fortes entraves que os soldados estadunidenses teriam de enfrentar nesse processo de dominação. Na história, o lugar ficou conhecido como "Cemitério dos Impérios", visto que inúmeras potências que ousaram obter domínio sobre a região acabaram falhando e tiveram de bater em retirada.
Em agosto de 2021, o mesmo resultado se repetiu. As tropas dos EUA, por um acordo firmado entre o ex-presidente Donald Trump e o Talibã, foram retiradas. Após tal movimento, o país, que estava sob o regime de um democracia instaurada, passou por um enorme retrocesso social. As minorias da sociedade afegã, principalmente as mulheres, tiveram suas liberdades restringidas, não podendo frequentar escolas e outros espaços públicos e desempenhar determinadas funções no mercado de trabalho. Isso se deve, devido à imposição da lei da Sharia, que está fundamentada em preceitos islâmicos radicais, e que, dentre outras medidas estabelecidas em sua liturgia, está a ausência de igualdade entre os gêneros, pois a figura da mulher é vista como submissa ao homem.
As questões humanas são um fator em destaque novamente em decorrência dessa instabiliddade política e social no país. Um grande exemplo está na dificuldade encontrada por grupos de assistência médica e de serviços comunitários ao realizar ações na região. Destaca-se em meio a isso a campanha da End Polio Now contra a paralisia infantil, cujo um dos principais protagonistas é o Rotary International, o qual não mede esforços para levar a imunização aos dois países remanescentes na luta pela erradicação da doença, dos quais um é o próprio Afeganistão.
Vale, portanto, ressaltar que o descaso internacional e o sentimento de indiferença que preenche grande parte da sociedade contemporânea não contribuirá para aliviar os impactos sobre esse povo já tão acometido por intempéries ao longo de sua história. Hoje, mais que nunca, a união é sinônimo de força. E a paz é o único caminho que nos reserva ao menos uma fração de nossa humanidade ao tentar lidar com o futuro. O futuro em todas as suas dimensões.
Postado em 15 de Novembro de 2021 por Interact Club de Araraquara